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Após anos de bullying da crítica, Stallone incorpora Rocky e é favorito no Oscar

16th fevereiro 2016  ·   0 Comentários

Ator, que ganhou principais prévias do Oscar, é o favorito do coração do público, mas espião soviético de filme de Steven Spielberg (“Ponte dos Espiões”) pode roubar a cena

Se existe uma torcida declarada para o Oscar 2016, essa torcida é toda de Sylvester Stallone. O ator de 69 anos está de volta à maior festa do cinema mundial 39 anos depois de sua primeira e até então única participação, pelo roteiro e atuação no filme “Rocky – um Lutador” (1976).

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Da esquerda para a direita, Christian Bale, Tom Hardy, Mark Ruffalo, Mark Rylance e Sylvester Stallone

Foto: Divulgação

Stallone está indicado como coadjuvante por “Creed – Nascido para Lutar” e quis o destino que ele voltasse ao Oscar com o mesmo personagem que o levou lá pela primeira vez: Rocky Balboa. A beleza da situação não para aí. Rocky é o personagem do coração de Stallone. É o personagem que lhe abriu as portas do cinema e lhe aferiu celebridade e status. “Eu não poderia deixar de agradecer meu amigo imaginário Rocky Balboa por ser o melhor amigo que eu já tive”, disse emocionado ao receber o Globo de Ouro pelo papel em janeiro último.

No caminho pelo Oscar, Stallone venceu, também, o Critic´s Choice Awards e viu o SAG da categoria parar nas mãos de Idris Elba, que não disputa o Oscar. O Bafta, entregue no último domingo, ficou com o inglês Mark Rylance. Stallone não concorria a nenhum dos dois por uma razão muito simples: preconceito.

Stallone não é um bom ator e a comunidade do cinema parece ter pouca vontade com atores limitados. O que deve ser julgado, no entanto, é o mérito da atuação e em “Creed”, Stallone é puro coração. Emocionante, gradual, senhor dos gestos e da oratória hesitante de Rocky Balboa, o ator mostra porque é tão fácil confundir intérprete e personagem.

Stallone pode não ser um ator bom, mas defende uma das melhores atuações de coadjuvantes do ano e sua vitória não seria de maneira alguma injusta no contexto da corrida que tem, ainda, Christian Bale (“A Grande Aposta”), Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”), Mark Ruffalo (“Spotlight – Segredos Revelados”) e Tom Hardy (“O Regresso”).

Não seria injusta, também, no contexto da carreira de Stallone. O ator foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso da indústria Hollywood nas décadas de 80 e 90 e o Oscar, afinal, é um prêmio de indústria. É quase um roteiro de cinema. O ator que sofre bullying da crítica, que é extremamente limitado, que revisita seu personagem mais icônico, ele mesmo o protótipo de underdog, e triunfa no Oscar, prêmio máximo da excelência cinematográfica. Bom demais para resistir.

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O ator Sylvester Stallone está bem perto de fazer história no Oscar.

Foto: Divulgação

A maior ameaça ao triunfo de Stallone é o inglês Mark Rylance. No filme de Spielberg, ele rouba o show de Tom Hanks como o espião soviético sem medo de morrer e com uma visão pessimista do rumo das coisas.

Tom Hardy, que está nos dois filmes que reúnem mais indicações ao Oscar, está muito bem em “O Regresso”, mas sua indicação já parece reconhecimento o suficiente. Christian Bale, matador em “A Grande Aposta”, já tem um Oscar e não está matador o suficiente para fazer valer um segundo na lógica um tanto rocambolesca da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Mark Ruffalo, por seu turno, que está em sua terceira indicação em seis anos, é um ator querido pela indústria que, ao contrário de Stallone, pode se beneficiar da percepção de que é sempre bom e figura em filmes importantes, oscarizáveis. Seria uma opção conservadora da academia, ainda que Ruffalo esteja bem em “Spotlight” e também ande merecendo um Oscar.

Resta ao público esperar para ver qual narrativa o Oscar irá escrever. O underdog que consegue uma vitória triunfal com o grande personagem de sua carreira no crepúsculo desta; o inglês eficiente que transpira prêmios em todos os seus poros em cena ou a do ator contundente e simplório que costuma ter poucas chances de brilhar.

A escolha, que será anunciada no dia 28 de fevereiro, mais do que dizer sobre o que é o Oscar hoje, dirá muito sobre o que o Oscar quer ser daqui para frente.

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