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Brasileiro dirige Anthony Hopkins e Colin Farrell: "Tem que chegar chegando"

23rd fevereiro 2016  ·   0 Comentários

“Presságios de um Crime”, que estreia nesta quinta-feira (25), marca a estreia de Afonso Poyart em Hollywood. Em entrevista, ele falou sobre a experiência e revela querer mais

É sempre uma grande comemoração quando um brasileiro vinga em Hollywood. Foi assim, em diferentes escalas, com Sônia Braga, Fernando Meirelles, Rodrigo Santoro, Alice Braga, Walter Salles e Wagner Moura. O talentoso Afonso Poyart talvez não capitalize tanto na celebridade, mas seu talento já o colocou por cima logo no início da carreira.

O diretor brasileiro Afonso Poyart nos sets de

O diretor brasileiro Afonso Poyart nos sets de “Presságios de um Crime”

Foto: Divulgação

Uma das principais estreias desta quinta-feira (25) nos cinemas brasileiros, “Presságios de um Crime”, marca a estreia desse paulista de Santos em Hollywood. O filme é estrelado por astros como Anthony Hopkins, Colin Farrell, Jeffrey Dean Morgan e Abbie Cornish.

O diretor falou dessa experiência de debutar em Hollywood logo em seu segundo longa-metragem. “O ‘2 Coelhos’ foi na unha. Produzimos da maneira que conseguimos. Não foi fácil tirar o filme do papel. Ninguém queria produzir”, revela o cineasta egresso da publicidade. “A gente levou o filme para Sundance e lá um cara, que hoje é meu manager nos Estados Unidos, me abordou e disse: ‘ cara, você tem que vir para os EUA! Vamos fazer filme!’”.

Poyart não compartilha dessa visão de que Hollywood é refratária aos estrangeiros. “Eles tem muito interesse em talento internacional”. Mesmo assim, compreensivelmente, sentiu-se como quem pisa em ovos quando surgiu o convite para dirigir “Presságios de um Crime”. “Quando eu entrei no projeto, já havia muitos rewritres (versões do roteiro) e o Tony (Anthony Hopkins). Eu não sabia o quanto eu podia mexer”.

Em “2 Coelhos”, ele dirigira Alessandra Negrini e Caco Ciocler e agora assumiria um filme estrelado pelo icônico intérprete de Hannibal Lecter. “Eu acho que ele está muito bem no filme”, avalia Poyart quando lembrado pela reportagem que Hopkins não protagonizava um filme há algum tempo. O último, sob pesada maquiagem, fora “Hitchcock” (2012). “Ele sabe que é um filme importante para a carreira dele. Tem um material dramático forte para ele trabalhar. Outro dia ele me ligou, gostou bastante do resultado e eu fiquei feliz com isso”.

Afonso Poyart e Caco Ciocler em locação do filme

Afonso Poyart e Caco Ciocler em locação do filme “2 Coelhos”, talento e perspicácia

Foto: Divulgação

Mas no começo, Poyart e o astro se estranharam. “O Hopkins foi difícil no início. Ele é um cara muito mais experiente do que eu. Sabe? Era aquela coisa de astro mesmo… Ele questionava tudo e tinha umas rusgas com os produtores também”, revela Poyart. “Aos poucos a gente foi se acertando. A gente, inclusive, está na mesma agência (de representação em Hollywood). Mas foi um processo complexo”.

O filme dentro do filme

“Presságios de um Crime” é um thriller policial. Uma história de detetive temperada com elementos de paranormalidade. O personagem de Hopkins, John Clancy, é acionado pelos investigadores vividos por Morgan e Cornish quando estes se encontram empacados em um caso de serial killer. A estrutura do filme logo se apressa em criar uma polarização entre o assassino, vivido por Farrell, e o personagem de Hopkins e é na natureza desse conflito que Poyart faz o seu filme. “Essa é a grande temática”, observa o cineasta. “Como thriller policial ele não é inovador. Isso já foi feito antes. Meu olhar estava muito mais ligado nesse subtexto e à história de redenção do personagem de Hopkins”.  Para Poyart, a questão moral levantada pelo terceiro ato, realmente polêmica, é o aspecto que distingue seu filme. “Para mim, sempre foi um drama, mas a formatação comercial é de um thriller criminal”.

Anthony Hopkins em cena de

Anthony Hopkins em cena de “Presságios de um Crime”%3A relação tumultuada

Foto: Divulgação

Poyart, que diz que “a metodologia de fazer cinema industrial” não o seduz, gostou tanto da experiência de fazer filme americano que já está lendo roteiros para definir qual será o próximo projeto. Certo é que será nos EUA. Antes, virá o lançamento da cinebiografia do lutador de MMA José Aldo. A ideia era lançar o filme em janeiro, mas a derrota de Aldo para o irlandês Connor McGregor no UFC 194 fez a distribuidora desistir da ideia de acelerar o lançamento. Foi um alívio para Poyart. “O filme ainda não está pronto”. O lançamento agora está previsto para o fim de maio.

Antes, porém, as energias estão focadas no lançamento de “Presságios de um Crime” no Brasil. “Estou orgulhoso do filme. Feliz com essa vivência”, admite Poyart que exalta a experiência de trabalhar com atores do primeiro time de Hollywood. “São atores que demandam que você chegue chegando. Eles vão te questionar mesmo, mas isso é muito bom para a qualidade do seu trabalho”.

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