Arte & Cinema

Crescimento da CCXP impressiona e evento se consolida no Brasil

Com apenas três anos de existência, a CCXP não faz feio: dados de crescimento do evento são surpreendentes; veja o que mudou nesse tempoEm San Diego, nos Estados Unidos, surgiu na década de 1970 um dos primeiros eventos voltado para o público geek e, desde então, o segmento não parou de crescer. Na sua última explosão do tema surgiu no Brasil em 2013 a Comic Con Experience, mais conhecida como CCXP, evento que, mesmo que não tenha nenhuma relação com o original, imitou seus moldes e trouxe a experiência da cultura pop nacional para um novo patamar.Público da terceira edição da CCXP deve ultrapassar a marca dos 180 mil, superando os números de San DiegoFoto: DivulgaçãoForam anos de estudos e preparação até que o evento pudesse sair do papel. “Tomamos a decisão de criar a CCXP com base nas informações que tínhamos de mercado, sabíamos que havia uma demanda de um evento desse porte no país” falou Ivan Costa, um dos sócios responsáveis por dar vida a um dos maiores eventos da américa latina. “Logo na primeira edição entre o anúncio do evento e a realização mesmo ele dobrou de tamanho” comentou Ivan.Gigante nos númerosEm 2014, a CCXP ocupou 39 mil metros quadrados da São Paulo Expo, pavilhão que recebe anualmente o evento em dezembro. Esse ano serão 115 mil metros quadrados, o que representa um aumento de 194% desde sua primeira edição, superando, assim, a área total da San Diego Comic Con, precursora desse tipo de evento. O público também superou as expectativas ao longo dos anos: foram “apenas” 97 mil pessoas no seu ano de estreia e estima-se um número entre 180 e 200 mil pessoas este ano, ultrapassando, também, sua versão internacional. Ou seja, houve um crescimento de quase 100% no período de vida do evento.A Comic Con Experience também realiza diversos eventos internos: esse ano ela vai abrigar a Minicon, voltada exclusivamente para crianças, a Anime Experience, para contemplar o público aficionado pela cultura oriental, a área Creators, desenvolvida especialmente para Youtubers, a CCXP Music Stage, que, como o nome já deixa claro, oferecerá atrações musicais. Além disso, há também o Artists Alley, onde tudo começou na década de 1970 em San Diego. A CCXP irá contar com 462 artistas, com destaque para Bill Sienkiewicz, Simon Bisley e Alan Davis.E não é apenas o público que impressiona: a CCXP trouxe por volta de R$ 20 milhões de retorno para os expositores e lojistas que participaram. “A nossa área comercial contata os expositores para ter um indicador se as vendas deram certo e se o retorno foi positivo para eles, um “tracking” para saber como as coisas foram para eles. Nós ficamos muito felizes de ver como ano a ano as coisas só melhoram” comenta Ivan Costa.E quantas pessoas são necessárias para realizar tudo isso? Em 2014 foram necessários 400 membros da organização, mas, esse ano, a CCXP terá nada menos do que a maior staff de um evento interno do País – serão 1100 pessoas trabalhando para que tudo funcione perfeitamente.Do Brasil para o mundoO crescimento do evento não foi apenas interno – no decorrer dessas três edições a CCXP se consolidou no cenário da cultura pop, firmando seu nome no roteiro internacional de acontecimentos do setor. Isso, por um lado, amplificou a repercussão mundial do evento e, por outro, facilitou o acesso à artistas e outros convidados internacionais. Para o sócio do evento, esse movimento é natural devido à diversidade e relevância do que oferecem no um âmbito maior. “Na medida em que vamos crescendo e tendo mais atrações internacionais isso chega a mais veículos estrangeiros. Temos muitas áreas exclusivas, por exemplo, painéis de filmes onde são feitas muitas revelações em primeira mão. Temos o conteúdo novo que eles precisam. Fazemos, também, coletivas de imprensa com artistas e os veículos vem para cá para cobrir isso”, disse.E não é só a imprensa que passou a dar mais atenção ao evento: segundo Ivan Costa, a CCXP acaba sendo assunto entre as estrelas internacionais que participam. “Os convidados mesmo que já vieram para a CCXP ajudam a divulgar o evento, eles fazem parte de uma comunidade e falam disso por lá. O nosso feedback melhora bastante com isso, os artistas sempre falam muito bem de nós, a notícia corre”.Novo mercadoCultura pop nunca teve a atenção que merecia, mas, nos últimos anos, esse tipo de mercado deu um salto e somente agora está sendo tratado com mais seriedade – mas, ainda assim, não é um nicho muito bem desenvolvido. Os números não mentem – a CCXP gerou R$ 20 milhões para os expositores, e esse dado é levado muito à sério pela organização do evento, por isso foi criada a CCXP Unlock, um congresso voltado exclusivamente para profissionais nacionais e internacionais discutirem as tendências desse segmento. “[Os profissionais] vem falar de aspectos do cenário da cultura pop, investimentos, tendências e novidades do setor”, explica Ivan. Nada mais lógico do que um dos principais eventos do ramo disponibilize essa oportunidade para os interessados na área.Equipe de sócios da CCXP: eles acreditaram nos dados e apostaram nas tendências do mercado de cultura popFoto: DivulgaçãoNão é à toa que a CCXP irá reunir mais de 180 mil pessoas no pavilhão do São Paulo Expo: esse ano o evento contará com 180 marcas envolvidas de alguma forma com as atrações – das quais 140 possuem estandes – sendo que em 2014 eram somente 72 estandes – que, somados, superam a marca de 90 mil metros quadrados de instalações.O público também é um reflexo desse mercado emergente. A CCXP oferece o pacote “Full Experience” que custa seis mil reais e dá direito a todas as áreas da feira, conteúdos exclusivos e todos os privilégios que um visitante pode querer – a venda desse tipo de passe cresceu 700% nos três anos de evento. Quando questionado sobre o aumento nas vendas desse ingresso, Ivan Costa disse “o fã de cultura pop é muito dedicado. Ele quer cada vez mais vantagens e percebe a natureza desse tipo de evento. As pessoas percebem o valor que essas coisas tem e vão se organizando ao longo do ano para adquirir o ingresso, é um investimento para eles”.Quem vem para cá?É inegável que um dos maiores atrativos da CCXP são os artistas internacionais – sobretudo atores e quadrinistas – que participam de painéis, sessões de meet and greet, debates e outras atrações – e esse hall aumenta mais a cada ano. Os principais nomes dessa edição serão o consagrado Frank Miller, mais conhecido por seus trabalhos nas HQs de “Batman”, os atores Neil Patrick Harris, da série “How I Met Your Mother”, Natalie Dormer, de “Game of Thrones”, Evanna Lynch, do elenco de “Harry Potter”, dentre muitos outros – até agora são 82 personalidades de diversas áreas confirmadas.Afinal, o que é a CCXP?Seguindo a linha de eventos que teve início em 1968 na Inglaterra, seguida pela criação da San Diego Comic Con na década de 1970, a CCXP é um evento totalmente voltado para os amantes de cultura pop, geeks, cosplayers – pessoas que se vestem como personagens de ficção – e qualquer pessoa que possa se interessar por esse universo. Ivan Costa – um dos idealizadores do projeto – tentou definir o evento: “Acho que a CCXP é um modelo bastante diferente das Comic Cons tradicionais. A CCXP é uma mistura de Comic Com com Tomorrowland e Lollapalooza, é um evento de experiência. Os estandes vão além da presença dos atores, é algo que faz parte do DNA do evento. As experiências fazem com que o evento se torne um grande parque”.Até agora, com apenas três edições, a CCXP tem sido um enorme sucesso de público – batendo os números de suas antecessoras – e, a cada ano, a organização procura contemplar mais assuntos e áreas para atrair todos os gêneros dessa cultura para dentro do evento.InformaçõesA CCXP acontece entre nos dias 1 a 4 de dezembro na São Paulo Expo e é possível adquirir ingressos na bilheteria do local, exceto para sábado.

More Arte & Cinema

‘Rainha de Katwe’ conta extraordinária história real de empoderamento feminino

A história da campeã de xadrez Phiona Mutesi serviu de inspiração para um filme que foca na representatividade e na ambientação típica do localDesde o enredo até o estilo da produção, “Rainha de Katwe” (“Queen of Katwe”, no original) não se parece em nada com outras produções da Disney, estúdio responsável pelo longa-metragem em parceria com a ESPN. Dirigido por Mira Nair, baseado no livro biográfico de Tim Crothers, “The Queen of Katwe: A Story of Life, Chess and One Extraordinary Girl’s Dream of Becoming a Grandmaster”, o filme conta a história da protagonista, Phiona Mutesi, uma jovem de uma região periférica da Uganda que, em pouco tempo, se torna campeã nacional de xadrez.Phiona Mutesi (Madina Nalwanga) com sua mãe, Nakku Harriet (Lupita Nyong’o) em cena do filme da DisneyFoto: Divulgação/DisneyElenco principalPhiona Mutesi, a “Rainha de Katwe“, é interpretada por Madina Nalwanga que, assim como a personagem, é uma ugandense que vive em uma comunidade – e essa é sua primeira vez no cinema. Ao seu lado estão Lupita Nyong’o no papel de Nakku Harriet, a mãe viúva que luta todos os dias para, mesmo nas condições de pobreza em que vivem, trazer o melhor para seus filhos, e David Oyelowo, interpretando o treinador de Phiona, Robert Katende, responsável por abrir o caminho para que o sonho da jovem se concretizasse.O elenco ser composto, basicamente, apenas por atores negros – e, principalmente, em papeis de destaque e que promovem a representatividade, com personagens bem construídos e que fogem de diversos estereótipos do cinema – representa um grande avanço na produção do filme. A tríade central de personagens – Phiona, Harriet e Robert –, além de serem todos negros, tem histórias fortes e batalham diariamente para não se deixarem engolir pela situação ao seu redor e atingirem seus objetivos.EnredoA narrativa de “Rainha de Katwe” é dividida em períodos de tempo, iniciando por 2007, ano em que Phiona descobre o xadrez através de seu irmão mais novo, Brian. Ele participa de um pequeno projeto na periferia de Katwe, onde ambos moram, liderado por Robert Katende, o “treinador” do grupo de crianças que frequenta o local. Mesmo que toda a comunidade seja pobre, Phiona é vista pelo outros como alguém no nível mais baixo da hierarquia social do local e, portanto, é humilhada quando chega à “escola” de xadrez. Ela, contudo, não desiste e se empenha em aprender as técnicas do esporte. Em pouco tempo, Phiona se mostra um prodígio na área e torna-se a motivação de Robert para levar a equipe de crianças cada vez mais longe.Nas fases seguintes do filme, o dom da protagonista já é claro para todos e ela passa a participar de eventos e torneios. Sua mãe, Harriet, é resistente quando se trata de deixar a filha livre para crescer no esporte, porém a capacidade de Phiona é indiscutível e, assim, o treinador a convence – prometendo educação em troca – a deixar que a menina siga seu caminho.A partir desse ponto a vida de Phiona apresenta uma enorme mudança – que acaba por trazer consequências negativas para ela e sua família. Após participar de um torneio no Sudão e experimentar a sensação de viver fora da periferia, longe da pobreza e da escassez de Katwe, a jovem se revolta com sua condição ao retornar para casa. Depois desse episódios e outros eventos ligados ao xadrez, Phiona passa a frequentar a escola, morar com o treinador e sua esposa e deixa sua família para trás para tentar agarrar seu sonho de se tornar mestra no esporte.O talento de Phiona – que acaba por tornar-se um símbolo do sucesso em Katwe – é maior do que seu universo e, assim, ela busca novos limites e continua a crescer em ritmo acelerado, até o momento em que sofre uma derrota em uma disputa internacional e se encontra à beira da desistência. Contudo, ela supera o fato e volta a competir, quando, aos 14 anos, ganha o título de campeã de xadrez do País.Metáfora do jogoO título do filme faz referência não apenas à Phiona, que acaba por virar a “Rainha de Katwe”, por ser um exemplo e motivo de orgulho para todos os habitantes da comunidade, mas é, também, uma metáfora que faz um paralelo entre uma jogada no xadrez onde um peão – a peça mais fraca do jogo – após atravessar todo o tabuleiro torna-se uma rainha e a história de vida da jovem, que, após conquistar seu espaço no tabuleiro, passa da posição de peão para rainha do esporte em Uganda. O movimento do jogo é apresentado logo no início do filme a Phiona por uma colega. Ela, então, se encantada pelo jogo e passa a praticar cada vez mais. A jovem entende que o xadrez é uma forma de poder – como é visto no final do filme quando ela diz que “as peças são um exército” e, assim, pôde enxergar mais profundamente o significado disso para sua vida.RepresentatividadeO empoderamento feminino é, certamente, um ponto que deve ser destacado no filme. Phiona, no início, se desculpa por suas vitórias e sente-se culpada por estar conquistando seu próprio espaço – seu próprio sucesso. Ela chega a se questionar sobre sua posição quando vence o melhor aluno do King’s College, local onde participou do primeiro torneiro de xadrez de sua carreira. Ao longo do tempo a personagem ganha confiança e passa a acreditar mais em si mesma, podendo, assim, se concentrar em desenvolver suas habilidades. O momento em que ela ganha o título de “melhor entre os meninos” é uma forma sutil de mostrar para o público que as qualidades de Phiona vão além das limitações de gênero.Nakku Harriet, embora em outra esfera, também é um exemplo de luta feminina. Mesmo sem a presença masculina, pois é viúva, Harriet faz tudo que está ao seu alcance para apoiar sua família da forma que está ao seu alcance. Ela, por diversas vezes, se sacrifica em nome do bem estar dos filhos, provando a força que uma mulher pode ter mesmo quando o ambiente não lhe é favorável.A vida real“Rainha de Katwe” é, como dito anteriormente, baseado na vida da atleta Phiona Mutesi – que, inclusive, acompanhou parte da produção do longa. Os créditos do filme guardam uma surpresa para o espectador – não são apenas nomes rolando na tela, mas os atores ficam lado a lado com as pessoas reais que os inspiraram e o destino de cada um dos envolvidos na vida da protagonista é revelado, como, por exemplo, o futuro de sua mãe e seus irmãos.Phiona terminou seus estudos e continuou a competir, colecionando títulos no esporte e ganhando destaque internacional. Hoje, a “Rainha de Katwe” tem apenas 20 anos e já entrou para a história da Uganda pelas suas conquistas no xadrez.

Arte & Cinema Archives

‘Elis’ cumpre dívida histórica e faz merecida homenagem a Elis Regina
Cinebiografia conta a trajetória da cantora mais de 30 anos após sua morte e presenteia o público com atuação marcante de Andreia HortaMais de 30 anos após a morte de ...
Saga ‘Star Wars’ pode ter mulheres na direção dos filmes em breve
Agora é a vez delas: presidente da Lucasfilm afirma que o estúdio está sondando mulheres para dirigirem os novos filmes da saga de “Star Wars”A presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy ...
Stan Lee anuncia novo livro em parceria com o encantador de cães Cesar Millan
Gênio da Marvel já criou mais de 100 personagens para novo livro infantil feito em parceria com o encantador de cães mais famoso do mundoFãs de Stan Lee podem comemorar: ...
“Aquarius” é indicado a Melhor Filme estrangeiro no Spirit Awards
A premiação do cinema independente também reconheceu outro trabalho feito por brasileiros nas suas nomeações. A cerimônia acontece em fevereiroA premiação do cinema independente, o Spirit Awards, divulgou nesta terça-feira ...
Ary Fontoura vai interpretar ex-presidente Lula em filme sobre a Lava Jato
Além de Ary Fontoura, atores como Flávia Alessandra e Antonio Calonni também estão confirmados no filme que mostra bastidores da Lava JatoO filme “Polícia Federal – A Lei é Para ...
São Paulo ganha casa noturna no Centro para fomentar cultura independente
Casa do Centro abre nesta segunda-feira (21) e busca ser espaço que trata público e artistas de maneira especial; leia entrevista com produtora da casaA partir desta segunda-feira (21), os ...
Mostra na Caixa revela novos artistas
Exposição de artes visuais tem entrada gratuita e fica até o dia 31 de dezembroRio – A ‘Mostra Bienal Caixa de Novos Artistas’ tem como objetivo incentivar e promover artistas ...
Imigrantes geram uma nova cena cultural em São Paulo
Seja na música ou na literatura, os imigrantes que vêm para São Paulo estão deixando diversas contribuições culturais que agora estão sendo registradasMaior metrópole da América do Sul, São Paulo ...

« Página anteriorPróxima página »